sábado, 22 de março de 2008

A Tristeza Que Faz Bem

“Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte”. 2 Coríntios 7.10

Ninguém gosta de sentir tristeza, isso porque ela se relaciona com algo ruim, uma dor, uma saudade, uma perda, uma derrota, etc... No entanto, a tristeza tem uma importância muito significativa na formação do caráter e na vida espiritual no relacionamento com Deus.
Na questão do caráter, podemos citar aqui as palavras inspiradas do sábio Salomão: “Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração” (Eclesiastes 7.3). O riso e a alegria pela sua própria natureza entusiástica e leve, carregam em si um senso de pouca reflexão. A tristeza por outro lado, com o ingrediente da angustia induz ao pensar, ao refletir, ao questionar. E o resultado desse processo pode levar a um coração melhor. Digo pode levar, porque nem toda tristeza tem essa virtude.
Há uma tristeza muito comum, que a Bíblia chama de “tristeza do mundo” que é aquela resultante do desequilíbrio causado pela presença do pecado no ambiente da vida humana, uma tristeza pela falta de sentido e significado na vida, uma tristeza por correr tanto, pensar tanto, sentir tanto, viver, e não encontrar nesses processos algo que de fato, satisfaça um anseio maior existente na alma.
Essa tristeza produz morte, pois essa insuportável angústia vai sendo ampliada dia a dia, a medida em que o tempo passa e as respostas não vêem, quando ao final de cada etapa, onde se esperava a “tal resposta” e ela não chega, o vazio continua, agora, acompanhada pela frustração, isso leva ao desespero, que conduz ao suicídio, que pode ser físico ou meramente existencial (quando se desisti totalmente de buscar as respostas e nega-se tacitamente a possibilidade da existência delas).
Mas, a Bíblia fala de uma tristeza segundo Deus. Segundo Deus, porque vêm dele é obra do Espírito Santo no coração do homem, é uma angustia que conduz a compreensão real de quem somos e de como estamos, de nossa condição de pecador. Essa tristeza produz lágrimas que lavam os olhos e nos ajudam a ver o que não víamos, sentir o que não sentíamos e assim fazer o que é preciso. Essa tristeza nos conduz ao caminho do arrependimento, do perdão, da esperança e da vida.
Essa tristeza nos diz que Deus não desistiu de nós e que ainda opera em nós o seu querer. Por isso as palavras de Jesus nas bem-aventuranças: “Bem aventurado os que choram, porque serão consolados” (Mateus 5.4). E esse consolo não é restrito ao escatológico (no sentido de algo futuro), mas é algo para hoje, para o agora.
Não é que tenhamos que viver tristes, chorando, muito pelo contrário, o homem que conhece a Deus é e sempre será feliz, sua felicidade permanece mesmo com os ventos fortes da tristeza, mesmo com os olhos cheios de lágrimas. Na verdade, esse homem consegue pela graça de Deus transformar dor em riso, tristeza, em caminho para a verdadeira alegria.
Seja alegre sempre, mas ela deve ser alegria do Senhor, e quando vier a tristeza reflita sobre ela e tire proveito dela para assim fazer melhor seu coração, e busque o perdão de Deus a respeito dos pecados que possam envolver essa tristeza.
Devemos ser alegres, mas nunca esquecermos a importância da tristeza. Como expressa em sua poesia o músico e compositor Baden Power em sua canção “Samba de Bênção”:
“É melhor ser alegre que ser triste, A alegria é a melhor coisa que existe é assim como a luz no coração, mas, pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza...”

NEle, que usa a tristeza para nos conduzir à verdadeira alegria.

Fábio de Souza Maia

domingo, 2 de março de 2008

A Desafiadora Vida De Superação

Como é bom superar! Sentir-se desafiado a vencer desafios, começar cada dia com o propósito de vencê-lo, de fazê-lo melhor; Tomar os devidos cuidados para que os acontecimentos de cada instante não retirem o ânimo e sim, acrescente lições; acreditar fortemente que para cada situação existe um propósito, e que podemos fazer sempre algo de bom, mesmo de coisas difíceis e aparentemente só negativas. Não aceitar absolutamente que pessoas, e muito menos coisas, nos paralisem e nos façam andar de volta, retroceder, desistir de um sonho bom.
É preciso crer contra as adversidades, a confiança motivada pela esperança gera uma saudável obstinação pelo sucesso, e entenda sucesso aqui, não apenas como realização profissional ou material, mas, ser o que se quer ser, ser o que se deve ser, aproximar sonhos da realidade e sobre tudo, sucesso é construir uma forma grande de olhar a vida e aprender a ser feliz com a realidade que está ao seu redor. Amando o hoje para fazer dele um degrau para um amanhã melhor.
A melhor forma de superar ou diminuir os problemas é olha-los pela ótica da superação, nós devemos nos ver maiores do que os problemas, eles são superáveis de algum modo, mesmo que continuem lá, eles podem gerar em nós energia e nos empurrar para o crescimento, a propósito, muito de nossos problemas só continuam por que ainda são úteis para nosso amadurecimento, eles só sairão quando superarmos essa fase e aí certamente virão outros para desafiar-nos a crescer mais e sermos cada dia melhores.
Levante! Aprume-se! Não se engane com as tolices, coisas pequenas! Não permita que palavras ou pensamentos do tipo: - Não vai dá! Já passou o tempo! Você não consegue! Etc...
Deus em Cristo nos proporciona conviver com a maravilhosa pessoa do Espírito Santo e Ele é, sem sombra de dúvida, a Pessoa fundamental nesse processo de superação, pois nossa esperança não é esotérica e nem apenas um recurso da neurolingüística, mas reside na realidade histórica da obra de Deus em Cristo e na graça dispensada sobre todos aqueles que desfrutam de um relacionamento pessoal com Deus em Cristo.
Leia as Escrituras, pois nela encontrará todo conhecimento necessário para uma desafiadora vida de superação.
NELE, que transformou calvário, espinhos e cruz em meios de salvação e glória.
Deus te abençoe!
Fábio de Souza Maia

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Obrigado Senhor!

Hoje, domingo, dia dez de fevereiro de dois mil e oito, quero começar a semana registrando a minha profunda gratidão a Deus por tudo que Ele é, pelo que já fez e pelas grandes coisas que ainda fará; Pela força que tem me dado nesses últimos tempos, pela possibilidade de transformar derrotas em grandes vitórias, de lubrificar os olhos com lágrimas e assim poder visualizar com mais profundidade as belezas da vida, agradeço por não permiti que a rigidez dos problemas me roubasse a sensibilidade, e ao contrário, fizesse com que eu me tornasse mais realidade e menos ilusão, me tornasse melhor para aqueles que são bons e amam as virtudes, e me afastasse daqueles que só me olham procurando defeitos, para não se sentirem sós na mediocridade.
Obrigado meu Deus, pela oportunidade graciosa de poder iniciar uma nova etapa em minha vida, de poder começar o “novo”, usar as pedras das ruínas do passado para construir uma nova estrutura. “...esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançado para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo..” (Fp.3.13-14a).
Obrigado meu Deus, por pessoas preciosas que ofereceram ombros mesmo carregando seus pesados fardos, ofereceram perdão mesmo decepcionados, ofereceram atenção, mesmo sem entender direito, discordaram sem sonegar o amor, me amaram pelo que eu sou, me amaram na queda e não apenas na subida, não me amaram apenas quando me enxergaram útil, mas também, quando eu nada ou muito pouco podia oferecer.
Obrigado também Senhor, por aqueles que se colocaram contra, que se fizeram oportunistas, que foram rápidos em acusar e lentos em amar, que jamais procuraram todas as verdades, mas ficaram apenas com aquelas que cabiam em suas opiniões já preconcebidas. Eles me ensinaram que existem aqueles que se apressam em fazer mal.
Obrigado pelas palavras estúpidas mescladas de verdades, mas infelizmente a serviço da arrogância, produto de uma mente doentia que esconde fracasso por trás de uma pseudo-santidade, obrigado pelo silêncio covarde da omissão, obrigado Senhor, pois aprendi com essas pessoas que existe uma religiosidade que não compreende que as pessoas também erram por dor e nem sempre pelo prazer de errar. Mas tenho paz, pois até “a ira do homem te louvará”.
Em tudo dou Graças a Ti ó Deus! Pois me fizeste saber o tamanho dos meus pecados e me fizeste ver o mal que te causastes, mas, sobretudo me fizeste desfrutar do Teu amor sem par, que encobre multidão de pecados e que disciplina com o coração de Pai; que põem Sua mão de justiça sobre todos os que se acham maiores do que Ti e que desprezam o Teu amor à medida em que condenam e desprezam aquele por quem tu derramaste o Teu precioso sangue.
Obrigado Senhor! Por Tua maravilhosa graça, maravilhosa para aqueles que a desfrutam, insuportável para os que querem domesticá-la a tal ponto de definir (sem as Escrituras) sobre quem e onde ela deve atuar. Enganosa graça é essa, que iludi os tolos, levando-os a segurar-se com toda prepotência em seus trapos de imundícias, cheios de retalhos religiosos sem nenhuma espiritualidade. Obrigado Senhor! Pela sua graça que me livra de tal engano.
Obrigado Senhor! Por que Tu me sondas e me conheces!
E assim termino um ciclo.
Fábio de Souza Maia
“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade”. Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Voltando Para Ser Útil

“Ele, antes, te foi inútil; atualmente, porém, é útil, a ti e a mim”. Filemom 11

A carta de Paulo ao seu filho espiritual Filemom nos trás uma lição preciosa sobre como a graça de Deus pode tornar útil a quem estava na inutilidade por causa do pecado.
Filemom era um cristão que havia conhecido o evangelho por meio do ministério do apóstolo Paulo e por isso Filemom tinha grande apreço pelo apóstolo.
Paulo estava preso por causa do evangelho e na prisão veio a conhecer um homem chamado Onésimo (que significa útil) que era um escravo fugitivo e que havia roubado o seu senhor. Na cadeia Paulo evangelizou Onésimo, que recebeu a graça da salvação e se tornou útil a Paulo, mas Paulo tomou conhecimento que Onésimo era servo de Filemom, a quem havia roubado e de quem havia fugido, e estando Onésimo para ser livre da cadeia, agora como cristão, ele deve retornar ao seu antigo senhor e corrigir os erros cometidos, pois agora é um novo homem. Paulo então, resolver enviar por meio de Onésimo essa carta como de recomendação e testificando a nova conduta daquele homem.
O que nos impressiona no texto de Paulo é, sobretudo, a certeza dele na mudança ocorrida em Onésimo, a tal ponto de Paulo pedir com toda firmeza a Filemom que o receba de volta e ainda assumir o prejuízo causado por Onésimo.(vs. 17 a 19) Paulo faz com Onésimo aquilo que ele mesmo precisou no início de sua vida cristã, quando todos tinham muitas razões para não crer na conversão dele, em razão de seu passado de perseguidor da igreja, ele encontrou em Barnabé o apoio e a sustentação de confiança que tanto precisava. (Atos 9.26-27)
A certeza de Paulo não está na capacidade de Onésimo de se recuperar, mas está na confiança em Deus, no poder transformador do Espírito Santo na vida de um homem, na plena recuperação que a Graça de Deus pode efetuar na vida de qualquer pessoa em qualquer circunstância. É certo que Paulo conviveu algum tempo com Onésimo a ponto de poder aferir a autenticidade de sua mudança por meio dos frutos.
São muitas as lições que podem ser aprendidas nessa pequena carta de Paulo. Posso relacionar algumas:
1. Que pela Graça de Deus todo homem é recuperável.
2. Que sempre existe oportunidade para fazer reparações em alguma medida.
3. Que a evangelização precisa ser acompanhada de atitudes concretas de apoio e ajuda ao novo convertido.
4. Que ao olharmos para os que erram é preciso lembrar que também erramos e somos alvo constante do amor e perdão de Deus.
5. Que só somos úteis a Deus por causa de Sua misericórdia.
6. Que ao investirmos em alguém estamos fazendo parte da história daquela vida.
7. Que o gesto de Paulo imita o amor de Deus em Cristo e assim devemos também fazer. (Cristo assumiu na cruz a nossa dívida para com Deus)
8. Que o homem só pode se de fato útil ao próximo quando se torna útil a Deus.

Ao meditar nessa carta certamente você encontrará muito mais lições preciosas para a sua vida.
Fique atento! Pois pode ter um Onésimo bem perto de você, não perca a oportunidade de fazer a diferença na vida de alguém ou quem sabe, você esteja se sentido tão inútil e irrecuperável, faça através da graça de Deus o caminho para a utilidade. Deus te abençoe!
Nele, que pela Sua Maravilhosa Graça, faz de nós, que somo servos inúteis, cooperadores do Seu Reino.
Fábio Maia

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A Virtude Do Contentamento


“...Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.”
(Paulo em Filipenses 4.11)

Que lição preciosa aprendeu Paulo! Viver contente na fartura, na saúde, na ausência de aflições é algo sem desafio, e, diga-se de passagem, existem pessoas que reclamam e murmuram em toda e qualquer circunstância, mas, estar contente na escassez, na aflição, na perda, isso sim é algo tão impressionante que a mentalidade moderna chega a achar absurdo, doentio, síndrome de pobreza, discurso de fracassado, e vai por aí...
Nesses dias em que somos bombardeados com o conceito de prosperidade em todos os seguimentos da sociedade, onde felicidade está diretamente relacionada com aquisição de bens, com materialismo e consumismo, quando ter é mais importante do que ser, quando as qualidades só são valorizadas se produzem ou produziram bens econômicos.
Esse modo de vida tem levado muitos a constantes dores, confirmando o que diz as Escrituras: “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores[1] (grifo meu) . E o sintoma desse problema é facilmente verificado quando se está na iminência de perder algo que juntamos, ou perder um status, um conforto, uma realidade da qual estamos acostumados a viver. É preciso entender que muitas vezes é necessário perder para se ganhar algo maior, coisas que possuímos podem impedir nossa visão e percepção de degraus maiores que a vida tem para nós. Vivendo assim, aprendemos a transformar perdas em grandes vitórias.
As principais necessidades humanas se encontram na área das afeições, emoções e espiritualidade e somente relacionamentos podem satisfazer de fato essas necessidades, e sendo honesto, percebemos claramente que bens não compram relacionamentos satisfatórios; relações construídas com base em bens, geram profundas frustrações, pois a essência das relações saudáveis está na espontaneidade e no amor incondicional que valorizam as virtudes do caráter, da personalidade. Observe você mesmo, que as suas melhores relações, aquelas que lhe trazem real satisfação, foram obtidas com base em convivência real e não fingida, onde você pode se mostrar como de fato você é. E ao fazer essa análise você perceberá que talvez tenha apenas uma, duas ou infelizmente nenhuma relação satisfatória.
O contentamento tem a ver com uma maneira grandiosa de enxergar a realidade, de reconhecer os verdadeiros valores da vida, valores que fizeram com que homens deixassem marcas profundas na vida de outras pessoas mesmo depois que seus corpos desaparecessem, seus valores da alma e do caráter foram maiores que suas estruturas físicas que desfrutaram ou não, dos confortos materiais desse mundo.
Quando percebemos que somos nós que atribuímos valor às coisas e não o inverso, que a vida é maior do que todos os bens que pudermos ajuntar, que estes não significarão muito na hora de partirmos. O que somos sim, fará a diferença para aqueles a quem realmente amamos e a quem verdadeiramente nos amou.
Paulo ensina que o contentamento é algo que se aprende, ensina que contentamento é a habilidade de encontrar razões para se estar contente em sim mesmo (na sua experiência de vida.[2]) e em Deus, escreve ele: “Tudo posso naquele que me fortalece”[3] ou seja, Paulo não dependia de nenhuma circunstancia externa para estar contente, não admitia de forma alguma que necessidades materiais lhe roubassem a paz de espírito. Que grandeza! Que riqueza admirável! É importante dizer que Paulo estava preso em Roma, em meio a tribulações, quando escreveu essas palavras e dependia de donativos para se manter.
Isso soa de forma desagradável aos ouvidos daqueles que se encontram apegados às coisas que possui, ou mesmo apegados às coisas que desejam possuir, pois as Escrituras afirma ainda que: “...os que querem ficar ricos caem em tentação, e ciladas, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição.[4]” (grifo meu)
Creio que a riqueza por si só não é maléfica, nem de origem maligna e as Escrituras em lugar nenhum proíbe ser rico ou atribui pecado à riqueza. O problema está no homem, em sua condição humana de pecador que o faz relaciona-se com a idéia de riqueza de forma desajustada, atribuindo à riqueza uma importância e valor que não tem e buscando nela satisfação que não pode dar.
O homem foi criado para ter relacionamento com Deus, com o próximo e consigo mesmo e é nessa tríplice relação que ele encontra sentido e significado na vida, as coisas materiais estão aí para serem buscadas, devidamente adquiridas pelo trabalho e usadas para a manutenção e satisfação das necessidades humanas, não só de quem as possui, mas de todos àqueles que se encontram ao nosso redor, colocados em nosso caminho para nos ajudar a não ajuntarmos gananciosamente e inutilmente nossos bens. Deus criou as pessoas para serem amadas e as coisas para serem usadas, não podemos inverter, amando coisas e usado pessoas para obter mais coisas.
Que Deus nos ajude a alcançar a riqueza do contentamento, pois segundo as Escrituras: “...grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento[5]”. A felicidade está na simplicidade, portanto ela está plenamente ao seu alcance.
Nele, que sendo rico se fez pobre por amor de nós para que pela sua pobreza nos tornássemos ricos.[6]

Fábio de Souza Maia



[1] I Timóteo 6.10
[2] Em Filipenses 4. 11 e 12 Paulo relata que vivenciou situações difíceis que lhe ensinaram a ter contentamento.
[3] Filipenses 4.13
[4] I Timóteo 6.9
[5] I Timóteo 6.6
[6] Paráfrase de 2 Coríntios 8.9

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

2007: O Ano Que Eu Não Quero Esquecer

“Jamais haverá ano novo se continuar a copiar os erros dos anos velhos”.Luís de Camões

É muito comum encontrarmos pessoas que desejam esquecer tempos em que tiveram sofrimentos, dores e situações adversas, alguns, desejam o novo ano muito mais como uma fuga, um desejo de distanciamento do ano anterior, do que a natural expectativa de um novo começo.
Embora seja compreensível, pois queremos nos afastar daquilo que no fez sofrer, devemos encarar o fato de que não é possível deletar, esquecer plenamente as lembranças e as informações que fazem parte de nossa história de vida, podemos ter um certo controle sobre o acessar essas lembranças, mas, elas sempre estarão na mente e de algum modo interferem em nossa vida hoje e no futuro. Essas verdades podem causar profunda tristeza e até depressão naqueles que tem uma visão meramente existencialista e sem a perspectiva cristã.
O passado é inalterável, nada mais pode ser feito para muda-lo, no entanto, ele deve ser fonte de aprendizado e amadurecimento. Creio que somente a cosmovisão cristã fornece uma maneira saudável e proveitosa para se lidar com as lembranças difíceis e inalteráveis.
Quando entendemos que a vida não é uma seqüência e nem fruto de acasos, mas sim, criação de Deus e soberanamente governada por Ele, compreendemos que há um plano maior onde todas as coisas contribuem de algum modo para o cumprimento desse plano, isso não elimina a nossa liberdade e muito menos nossa responsabilidade, mas, certamente estabelece limites em razão da soberania divina.
Dessa forma, ao olhar para o passado devemos extrair de todos os momentos vividos, lições que nos farão aprender e crescer, subindo novos degraus em nossa vida. Fazer do passado uma forma de hoje, no presente, construir um futuro melhor.
2007 foi um ano de muitas lutas, perdi pessoas, tive encontros difíceis, tive profundos desapontamentos, tive que me defrontar comigo mesmo e perceber em mim de forma muito dolorida defeitos e aspectos que precisam ser corrigidos. Tive que lamentar erros cometidos e impossíveis de serem corrigidos em razão de suas conseqüências consumadas.
Tive algumas conversas angustiantes, me decepcionei com pessoas que se fizeram amigas só enquanto eu tinha algo para oferecer, nem que esse algo fosse apenas sonhos, pessoas que não puderam suportar minhas fraquezas e decidiram por usá-las para justificar suas próprias e ainda escondidas deformidades.
Mas, 2007 foi um tempo de amadurecimento, de percepção de como as coisas não eram exatamente como eu enxergava, um tempo de reelaboração de propósitos e busca de novos ideais, tempo de refletir e reconstruir, tempo de conhecer novos amigos, conhecer melhor antigos amigos e até apreender melhor o conceito de amigo.
2007 foi fundamental para que eu chegasse nesse novo ano com a realidade de cursar Direito no Mackenzie, poder começar o ano com a possibilidade de passar na segunda fase de um concurso público e dá mais “up grade”, um passo a mais. Foi um ano que pude retomar minha vida eclesiástica, voltar à igreja; ter aperfeiçoado o meu relacionamento de amor com minhas filhas, foi também um ano para conhecer e desfrutar do amor de alguém que tem sido mais que uma companheira, alguém com a capacidade de me amar não pelo que fui, nem pelo que serei, mas pelo que sou, alguém que tem com seu carinho e dedicação me ensinando que com amor e compreensão, podemos superar todas crises. Aprendi que mesmo que o meu passado contenha muitos erros e problemas, o futuro está aí diante de mim, completamente intacto, virgem, novinho para ser construído e feito de coisas boas e surpreendentes.
Por esses e outros motivos, eu não quero esquecer 2007, pois sei o quanto ele foi importante para mim.
Desejo que seu 2008 seja cheio da graça de Deus e em todos os momentos que virão, os bons e os ruins você tenha a capacidade de visualizar tudo pela ótica da soberania de Deus e aprenda a aprender com tudo que acontece, e assim, seu 2008 será inesquecível.
Nele, que fez o meu ontem, meu hoje e o meu amanhã e fez todos eles quando eu nem sequer existia.
Fábio Maia