quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Voltando Para Ser Útil

“Ele, antes, te foi inútil; atualmente, porém, é útil, a ti e a mim”. Filemom 11

A carta de Paulo ao seu filho espiritual Filemom nos trás uma lição preciosa sobre como a graça de Deus pode tornar útil a quem estava na inutilidade por causa do pecado.
Filemom era um cristão que havia conhecido o evangelho por meio do ministério do apóstolo Paulo e por isso Filemom tinha grande apreço pelo apóstolo.
Paulo estava preso por causa do evangelho e na prisão veio a conhecer um homem chamado Onésimo (que significa útil) que era um escravo fugitivo e que havia roubado o seu senhor. Na cadeia Paulo evangelizou Onésimo, que recebeu a graça da salvação e se tornou útil a Paulo, mas Paulo tomou conhecimento que Onésimo era servo de Filemom, a quem havia roubado e de quem havia fugido, e estando Onésimo para ser livre da cadeia, agora como cristão, ele deve retornar ao seu antigo senhor e corrigir os erros cometidos, pois agora é um novo homem. Paulo então, resolver enviar por meio de Onésimo essa carta como de recomendação e testificando a nova conduta daquele homem.
O que nos impressiona no texto de Paulo é, sobretudo, a certeza dele na mudança ocorrida em Onésimo, a tal ponto de Paulo pedir com toda firmeza a Filemom que o receba de volta e ainda assumir o prejuízo causado por Onésimo.(vs. 17 a 19) Paulo faz com Onésimo aquilo que ele mesmo precisou no início de sua vida cristã, quando todos tinham muitas razões para não crer na conversão dele, em razão de seu passado de perseguidor da igreja, ele encontrou em Barnabé o apoio e a sustentação de confiança que tanto precisava. (Atos 9.26-27)
A certeza de Paulo não está na capacidade de Onésimo de se recuperar, mas está na confiança em Deus, no poder transformador do Espírito Santo na vida de um homem, na plena recuperação que a Graça de Deus pode efetuar na vida de qualquer pessoa em qualquer circunstância. É certo que Paulo conviveu algum tempo com Onésimo a ponto de poder aferir a autenticidade de sua mudança por meio dos frutos.
São muitas as lições que podem ser aprendidas nessa pequena carta de Paulo. Posso relacionar algumas:
1. Que pela Graça de Deus todo homem é recuperável.
2. Que sempre existe oportunidade para fazer reparações em alguma medida.
3. Que a evangelização precisa ser acompanhada de atitudes concretas de apoio e ajuda ao novo convertido.
4. Que ao olharmos para os que erram é preciso lembrar que também erramos e somos alvo constante do amor e perdão de Deus.
5. Que só somos úteis a Deus por causa de Sua misericórdia.
6. Que ao investirmos em alguém estamos fazendo parte da história daquela vida.
7. Que o gesto de Paulo imita o amor de Deus em Cristo e assim devemos também fazer. (Cristo assumiu na cruz a nossa dívida para com Deus)
8. Que o homem só pode se de fato útil ao próximo quando se torna útil a Deus.

Ao meditar nessa carta certamente você encontrará muito mais lições preciosas para a sua vida.
Fique atento! Pois pode ter um Onésimo bem perto de você, não perca a oportunidade de fazer a diferença na vida de alguém ou quem sabe, você esteja se sentido tão inútil e irrecuperável, faça através da graça de Deus o caminho para a utilidade. Deus te abençoe!
Nele, que pela Sua Maravilhosa Graça, faz de nós, que somo servos inúteis, cooperadores do Seu Reino.
Fábio Maia

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A Virtude Do Contentamento


“...Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.”
(Paulo em Filipenses 4.11)

Que lição preciosa aprendeu Paulo! Viver contente na fartura, na saúde, na ausência de aflições é algo sem desafio, e, diga-se de passagem, existem pessoas que reclamam e murmuram em toda e qualquer circunstância, mas, estar contente na escassez, na aflição, na perda, isso sim é algo tão impressionante que a mentalidade moderna chega a achar absurdo, doentio, síndrome de pobreza, discurso de fracassado, e vai por aí...
Nesses dias em que somos bombardeados com o conceito de prosperidade em todos os seguimentos da sociedade, onde felicidade está diretamente relacionada com aquisição de bens, com materialismo e consumismo, quando ter é mais importante do que ser, quando as qualidades só são valorizadas se produzem ou produziram bens econômicos.
Esse modo de vida tem levado muitos a constantes dores, confirmando o que diz as Escrituras: “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores[1] (grifo meu) . E o sintoma desse problema é facilmente verificado quando se está na iminência de perder algo que juntamos, ou perder um status, um conforto, uma realidade da qual estamos acostumados a viver. É preciso entender que muitas vezes é necessário perder para se ganhar algo maior, coisas que possuímos podem impedir nossa visão e percepção de degraus maiores que a vida tem para nós. Vivendo assim, aprendemos a transformar perdas em grandes vitórias.
As principais necessidades humanas se encontram na área das afeições, emoções e espiritualidade e somente relacionamentos podem satisfazer de fato essas necessidades, e sendo honesto, percebemos claramente que bens não compram relacionamentos satisfatórios; relações construídas com base em bens, geram profundas frustrações, pois a essência das relações saudáveis está na espontaneidade e no amor incondicional que valorizam as virtudes do caráter, da personalidade. Observe você mesmo, que as suas melhores relações, aquelas que lhe trazem real satisfação, foram obtidas com base em convivência real e não fingida, onde você pode se mostrar como de fato você é. E ao fazer essa análise você perceberá que talvez tenha apenas uma, duas ou infelizmente nenhuma relação satisfatória.
O contentamento tem a ver com uma maneira grandiosa de enxergar a realidade, de reconhecer os verdadeiros valores da vida, valores que fizeram com que homens deixassem marcas profundas na vida de outras pessoas mesmo depois que seus corpos desaparecessem, seus valores da alma e do caráter foram maiores que suas estruturas físicas que desfrutaram ou não, dos confortos materiais desse mundo.
Quando percebemos que somos nós que atribuímos valor às coisas e não o inverso, que a vida é maior do que todos os bens que pudermos ajuntar, que estes não significarão muito na hora de partirmos. O que somos sim, fará a diferença para aqueles a quem realmente amamos e a quem verdadeiramente nos amou.
Paulo ensina que o contentamento é algo que se aprende, ensina que contentamento é a habilidade de encontrar razões para se estar contente em sim mesmo (na sua experiência de vida.[2]) e em Deus, escreve ele: “Tudo posso naquele que me fortalece”[3] ou seja, Paulo não dependia de nenhuma circunstancia externa para estar contente, não admitia de forma alguma que necessidades materiais lhe roubassem a paz de espírito. Que grandeza! Que riqueza admirável! É importante dizer que Paulo estava preso em Roma, em meio a tribulações, quando escreveu essas palavras e dependia de donativos para se manter.
Isso soa de forma desagradável aos ouvidos daqueles que se encontram apegados às coisas que possui, ou mesmo apegados às coisas que desejam possuir, pois as Escrituras afirma ainda que: “...os que querem ficar ricos caem em tentação, e ciladas, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição.[4]” (grifo meu)
Creio que a riqueza por si só não é maléfica, nem de origem maligna e as Escrituras em lugar nenhum proíbe ser rico ou atribui pecado à riqueza. O problema está no homem, em sua condição humana de pecador que o faz relaciona-se com a idéia de riqueza de forma desajustada, atribuindo à riqueza uma importância e valor que não tem e buscando nela satisfação que não pode dar.
O homem foi criado para ter relacionamento com Deus, com o próximo e consigo mesmo e é nessa tríplice relação que ele encontra sentido e significado na vida, as coisas materiais estão aí para serem buscadas, devidamente adquiridas pelo trabalho e usadas para a manutenção e satisfação das necessidades humanas, não só de quem as possui, mas de todos àqueles que se encontram ao nosso redor, colocados em nosso caminho para nos ajudar a não ajuntarmos gananciosamente e inutilmente nossos bens. Deus criou as pessoas para serem amadas e as coisas para serem usadas, não podemos inverter, amando coisas e usado pessoas para obter mais coisas.
Que Deus nos ajude a alcançar a riqueza do contentamento, pois segundo as Escrituras: “...grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento[5]”. A felicidade está na simplicidade, portanto ela está plenamente ao seu alcance.
Nele, que sendo rico se fez pobre por amor de nós para que pela sua pobreza nos tornássemos ricos.[6]

Fábio de Souza Maia



[1] I Timóteo 6.10
[2] Em Filipenses 4. 11 e 12 Paulo relata que vivenciou situações difíceis que lhe ensinaram a ter contentamento.
[3] Filipenses 4.13
[4] I Timóteo 6.9
[5] I Timóteo 6.6
[6] Paráfrase de 2 Coríntios 8.9

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

2007: O Ano Que Eu Não Quero Esquecer

“Jamais haverá ano novo se continuar a copiar os erros dos anos velhos”.Luís de Camões

É muito comum encontrarmos pessoas que desejam esquecer tempos em que tiveram sofrimentos, dores e situações adversas, alguns, desejam o novo ano muito mais como uma fuga, um desejo de distanciamento do ano anterior, do que a natural expectativa de um novo começo.
Embora seja compreensível, pois queremos nos afastar daquilo que no fez sofrer, devemos encarar o fato de que não é possível deletar, esquecer plenamente as lembranças e as informações que fazem parte de nossa história de vida, podemos ter um certo controle sobre o acessar essas lembranças, mas, elas sempre estarão na mente e de algum modo interferem em nossa vida hoje e no futuro. Essas verdades podem causar profunda tristeza e até depressão naqueles que tem uma visão meramente existencialista e sem a perspectiva cristã.
O passado é inalterável, nada mais pode ser feito para muda-lo, no entanto, ele deve ser fonte de aprendizado e amadurecimento. Creio que somente a cosmovisão cristã fornece uma maneira saudável e proveitosa para se lidar com as lembranças difíceis e inalteráveis.
Quando entendemos que a vida não é uma seqüência e nem fruto de acasos, mas sim, criação de Deus e soberanamente governada por Ele, compreendemos que há um plano maior onde todas as coisas contribuem de algum modo para o cumprimento desse plano, isso não elimina a nossa liberdade e muito menos nossa responsabilidade, mas, certamente estabelece limites em razão da soberania divina.
Dessa forma, ao olhar para o passado devemos extrair de todos os momentos vividos, lições que nos farão aprender e crescer, subindo novos degraus em nossa vida. Fazer do passado uma forma de hoje, no presente, construir um futuro melhor.
2007 foi um ano de muitas lutas, perdi pessoas, tive encontros difíceis, tive profundos desapontamentos, tive que me defrontar comigo mesmo e perceber em mim de forma muito dolorida defeitos e aspectos que precisam ser corrigidos. Tive que lamentar erros cometidos e impossíveis de serem corrigidos em razão de suas conseqüências consumadas.
Tive algumas conversas angustiantes, me decepcionei com pessoas que se fizeram amigas só enquanto eu tinha algo para oferecer, nem que esse algo fosse apenas sonhos, pessoas que não puderam suportar minhas fraquezas e decidiram por usá-las para justificar suas próprias e ainda escondidas deformidades.
Mas, 2007 foi um tempo de amadurecimento, de percepção de como as coisas não eram exatamente como eu enxergava, um tempo de reelaboração de propósitos e busca de novos ideais, tempo de refletir e reconstruir, tempo de conhecer novos amigos, conhecer melhor antigos amigos e até apreender melhor o conceito de amigo.
2007 foi fundamental para que eu chegasse nesse novo ano com a realidade de cursar Direito no Mackenzie, poder começar o ano com a possibilidade de passar na segunda fase de um concurso público e dá mais “up grade”, um passo a mais. Foi um ano que pude retomar minha vida eclesiástica, voltar à igreja; ter aperfeiçoado o meu relacionamento de amor com minhas filhas, foi também um ano para conhecer e desfrutar do amor de alguém que tem sido mais que uma companheira, alguém com a capacidade de me amar não pelo que fui, nem pelo que serei, mas pelo que sou, alguém que tem com seu carinho e dedicação me ensinando que com amor e compreensão, podemos superar todas crises. Aprendi que mesmo que o meu passado contenha muitos erros e problemas, o futuro está aí diante de mim, completamente intacto, virgem, novinho para ser construído e feito de coisas boas e surpreendentes.
Por esses e outros motivos, eu não quero esquecer 2007, pois sei o quanto ele foi importante para mim.
Desejo que seu 2008 seja cheio da graça de Deus e em todos os momentos que virão, os bons e os ruins você tenha a capacidade de visualizar tudo pela ótica da soberania de Deus e aprenda a aprender com tudo que acontece, e assim, seu 2008 será inesquecível.
Nele, que fez o meu ontem, meu hoje e o meu amanhã e fez todos eles quando eu nem sequer existia.
Fábio Maia