quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Olhos Que Enxergam o Natal

“Porque os meus olhos já viram a tua salvação” (Lucas 2.30)

Essas palavras fazem parte da letra de uma canção de um homem já idoso, chamado Simeão, que teve o grande privilégio de pegar no colo o menino Jesus quando este foi levado por seus pais ao templo.
A passagem bíblica do Evangelho de Lucas relata que Simeão era um homem justo e piedoso que tinha esperança quanto ao consolo de Israel. Consolo que dizia a respeito das promessas da vinda do messias que traria paz e salvação ao povo.
Ao ver aquela criança e toma-la em seus braços, Simeão, movido pelo Espírito Santo canta uma bela canção de louvor a Deus por reconhecer que em seus braços estava o menino que traria a tão grande salvação. E sua alegria é tão grande, que ele canta que já poderia morrer, pois, os seus olhos já tinham visto a salvação do Senhor.
Essas belas palavras revelam a essência do real significado do natal, bem distante e diferente de todas as luzes e badalações do natal que se vê nos dias de hoje. Na verdade, o problema não está necessariamente, nos presentes, árvores natalinas, comidas, roupas, festas, luzes e tudo mais, mas sim, na falta de visibilidade do real sentido do natal, os acessórios se tornam partes fundamentais quando não se conhece de fato o essencial.
O natal significa o nascimento de Jesus, até aí tudo bem! Todos parecem saber disso. No entanto, quem é Jesus? O que Ele fez? O que representa? O que Ele tem a ver comigo? São algumas das questões fundamentais para visualizarmos o natal com o mesmo olhar do velho Simeão.
Simeão entendia que havia uma necessidade de salvação, (... viram a tua salvação) isso porque via a condição do homem como pecador, sem paz, sem vida e necessitando de uma grande salvação. Simeão também percebia que a salvação vem de Deus, (... a Tua salvação) ela não é encontrada na horizontalidade da vida, mas sim, na verticalização da graça de Deus que desce do céu na forma do Deus encarnando para realizar a redenção, buscando e salvando o que se havia perdido.
Simeão enxergou aquela criança com uma visão integral, ou seja, ele viu o cumprimento da profecia anunciada há tantos anos, ele viu também a cruz, o sofrimento de Jesus (versos 35) ele não teve uma visão meramente romântica e parcial do nascimento de Cristo como muitos apresentam hoje no natal.
É preciso ter olhos para enxergar a essência do natal. O melhor presente que podemos receber é sem dúvida, poder olhar para o menino da manjedoura com os olhos de Simeão. Não se pode compreender o natal vendo apenas a estrela de Belém, os três magos, os presentes, a manjedoura. É preciso (mesmo que seja incômodo!) ver o a pobreza de Jesus, sendo Ele o próprio Deus, as zombarias, os escárnios, os açoites, a coroa de espinho, o suor de sangue, a cruz...Para por fim, enxergar a ressurreição, a subida aos céus, seu assentar à direita,... Sua volta em glória. Compreender o natal exige uma visão integral da obra de Deus em Cristo.
Concluo lembrando que Simeão era um homem dirigido pelo Espírito Santo e que esperava na Palavra. A Bíblia é a revelação de Deus, o Espírito Santo, autor dela, é Ele quem nos ilumina os olhos para enxergarmos com entendimento. Busquemos, pois a visualização da essência do natal através da Palavra que é “lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos”.
Nele, que deu a si próprio como presente da graça e a maior expressão de amor: Jesus.
Fábio Maia

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Vivendo Um Dia de Cada Vez

“Basta a cada dia o seu mal”

Ainda que o título dessa reflexão seja uma afirmação óbvia, gostaria de pensar sobre ela. Mesmo porque, algo óbvio não significa necessariamente algo aprendido.
A ansiedade é um dos grandes males da vida humana e não é “privilégio” de nosso tempo, pois, Jesus tratou desse assunto como sendo algo pertinente aos homens de seu tempo. Temos uma “pré-ocupação” acentuada com as coisas da vida, isso mesmo! Uma ocupação antecipada com aquilo que não pertence ao agora, ao hoje. O ditado popular: “não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje”, não deve ser entendido como: “faça hoje o que só pode ser feito amanha”. É preciso buscar o equilíbrio entre responsabilidade e serenidade, entre seriedade e quietude. Boas são as palavras do Salmista: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”
A ansiedade encontra seu tratamento no conhecimento de Deus é preciso entender que existe um Deus, que Ele é todo poderoso, amoroso, que Ele governa sobre todas as coisas e nada escapa ao seu controle. Isso certamente soa de forma agressiva aos ouvidos do homem natural, pois, o mesmo afirma possuir uma autonomia que não existe, deseja algo que sua própria essência contradiz, e assim, vive em crise entre o que realmente é e o que sua natureza corrompida almeja. Não confundamos liberdade com autonomia, pois ser livre não significa ser autônomo, não em termos teológicos, somos livres para agir de acordo com nossa natureza, e essa é uma grande evidência de como somos pecadores, pois são muitas as ações ruins e malignas dos homens, e só não são piores em virtude da ação graciosa de Deus que restringe o mal e promove ações boas entre os homens.
A ansiedade é resultado da ignorância sobre Deus. E é claro que esse conhecimento não pode ser apenas teórico/intelectual, mas, sobretudo, prático/existencial. Jesus afirma que por mais ansioso que sejamos não iremos acrescentar nem mais um côvado (uma medida de comprimento) à nossa vida, podendo inclusive até diminuir, não em tempo, mas, em qualidade de vida, pois a medida em que sofremos pelos problemas do amanhã, perdemos o dia de hoje, e devemos lembrar sempre que o tempo é algo irrecuperável. Quantas pessoas sofreram por coisas que não foram ruins como esperavam, passaram noite em claro e descobriram depois que não precisavam ter feito isso. Perderam a oportunidade de confiar e descansar em Deus.
Jesus nos ensina na oração do Pai Nosso que devemos pedir “o pão nosso de cada dia”, ou seja, não o pão nosso em atacado, mas, de cada dia, isso, para que orássemos todos os dias, confiássemos todos dias e víssemos todos os dias a providência do Deus que governa todos os dias. Assim, como derramava do céu todos os dias o maná que sustentou o seu povo no deserto quarenta anos, Deus continua hoje fazendo o mesmo.
Você certamente deve lembrar daquele dia, período, situação em que já passou, e que achava que não sobreviveria, era algo insuportável, pensou: “dessa vez não vai dá!”; e deu! Você passou! Aquilo virou passado, e mesmo que tenha deixado seqüelas, não foi como você pensou. Isso é graça! É resultado da ação de Deus.
Por isso, viva o hoje, o presente, ele é de fato o tempo que você realmente possui. Faça o que está em suas mãos, não deixe de semear boa semente, faça coisas boas, ame, ajude, socorra, corrija, limpe, arrume, perdoe, etc... Pode ter certeza que fazendo assim, o amanhã seja ele como for, você estará preparado para enfrentá-lo.
NELE, que é o mesmo sempre! Não aumenta, não envelhece, muito menos diminui, e tem cada segundo nosso em seu pleno controle.
Fábio Maia

domingo, 18 de novembro de 2007

Os Perigos da Unanimidade


"Ai de vós! Quando todos vos louvarem". Essas palavras de Jesus me fazem pensar no perigo da unanimidade, pois o que é a unanimidade? Senão também uma forma de louvor, aplauso, adesão, consentimento e concordância. E nisso existem perigos, pois unanimidade alimenta uma disposição à soberba, soberba essa que todos nós já possuímos em alguma medida, gerando assim, um certo ufanismo, uma falsa compreensão da realidade, e esses ingredientes formam a receita infalível para o fracasso. O profeta Obadias se refere à ruína dos Edomitas, registrando que eles foram “enganados pela soberba”. E ensina ainda Salomão que: “a soberba precede a ruína”.
O perigo da unanimidade também está na limitação de nossa percepção da realidade, passamos a enxergar apenas a nós mesmos, a nossa idéia e opinião como perfeita. Isso ocorre por causa da ausência do contraditório, ou seja, sem a crítica, sem a controvérsia não se apura, não se filtra a idéia. A importância da discordância está em nos fazer enxergar por outros ângulos uma mesma questão. Por isso cuidado! Pois, as luzes dos holofotes que nos destacam são as mesmas que nos impedem de enxergar direito.
A unanimidade é um perigo porque pressupõem que o consenso seja algo infalível. Absolutamente, a voz do povo não é a voz de Deus! Creio que Deus pode mostrar sua vontade por meio da maioria, por meio da vontade do povo. No entanto, essa não é uma norma infalível. A história de um modo geral nos ensina isso, pois grandes tragédias se deram por conta de decisões tomadas pelo consenso geral. A esmagadora maioria alemã apoiou a ascensão e política nazista de Hitler (incluindo grande parte dos cristãos), boa parte dos americanos (incluindo evangélicos), hoje lamenta o apoio dado ao governo Bush pela invasão ao Iraque. E tantos outros episódios comprovam essa afirmação.
É preciso administrar com muito cuidado os louvores e a unanimidade que nos oferecem. O governador Aécio Neves, comentando sobre seu avô o Ex-Presidente Tancredo, em uma entrevista na TV Cultura, disse ter ouvido dele quando o acompanhava em carro aberto sob os aplausos intensos da população que comemorava sua eleição à presidência, que: “... a maior quantidade de aplausos e apoio agora, é muito importante, pois chegará um momento, em que precisarei perdê-los por tomar decisões difíceis, mas necessárias”. Essa declaração reflete uma percepção quanto à certeza e necessidade, da perda da unanimidade.
Jesus não se impressionava com as multidões, não se fundamentou na adesão e concordância da maioria, não tinha essa pretensão. A seriedade de sua vida e ministério não o permitia se iludi com “os mantos e palmas”. Por isso, advertiu seus discípulos quanto aos perigos da unanimidade. Ai de vós! Quando todos vos louvarem.
As palavras de Santo Agostinho reforçam nosso conselho e opinião:
“Prefiro os que me criticam aos que me bajulam, pois os que me criticam, me corrigem, os que me bajulam me corrompem”. (Santo Agostinho)

Fábio Maia

sábado, 17 de novembro de 2007

Aproveitando Oportunidades


Não são poucos aqueles que se queixam por não terem oportunidades, de trabalho, de estudo, promoções no serviço, casamento, enfim, queixam-se por não terem sido favorecidos com chances que outros tiveram. Outros lamentam oportunidades desperdiçadas, faltaram no dia certo, não se inscreveram quando devia, não arriscaram, adiaram decisões, enfim, deixaram vazar pelos dedos oportunidades preciosas que lhe custaram sucessos e realizações.
Creio que as oportunidades estão aí diante de nós ao nascer de um novo dia, ao raiar do sol, pois diz as Escrituras que as misericórdias se renovam a cada manhã. Sempre acreditei que esse texto nos fala sobre oportunidade, a maior de todas elas, pois, é a oportunidade de começar limpo, purificado pela misericórdia de Deus. Levantar e fazer diferente, começar o novo, tomar nova direção, praticar novos conceitos, reafirmar bons valores, assumir e corrigir erros, abandonar ressentimentos, enfim, quantas coisas podem ser feitas a cada novo dia. Por isso, aproveitar oportunidades exige inicialmente essa compreensão de que elas estão aí diante de nós e precisam ser vistas pela ótica da misericórdia de Deus.
Aproveitar oportunidades exige também o entendimento de que somos agentes de transformação de nossa realidade, ou seja, podemos mudar as coisas ao nosso redor, podemos influenciar o mundo em que vivemos. Ensina as Escrituras: “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”. Não somos deterministas e pessimistas a ponto de pensar que “tudo que é, tinha que ser”. Acredito que o mundo em que vivemos é o mundo que ajudamos a criar, portanto, temos a capacidade de produzir mudanças significativas na realidade e isso a partir de atitudes grandes e complexas, mas também, pequenas e simples até porque, as oportunidades muitas vezes precisam ser criadas por nós mesmos. Portanto, aproveitar oportunidades é algo que pode ser começado agora, com simples decisões como: ir falar com aquela pessoa, abrir mão provisoriamente daquele conforto, aceitar aquela proposta até surgir algo melhor, usar a criatividade, começar a estudar, dividir com quem precisa, enfim fazer algo novo.
Para aproveitar oportunidades é preciso conseguir transformar momentos ruins em ocasião de aprendizado, extraindo deles lições para melhorar. Não permitir que a adversidade mine nossas forças, corrompa os melhores valores. Mas ao contrário, nos desafie. Como diria o filósofo: “o que não me destrói me fortalece”. Não fique lamentando as oportunidades perdidas, pois enquanto você faz isso, outras estão passando por você. Use a energia do lamento para alimentar seu ânimo e veja as oportunidades que estão diante de você. Comece aproveitando os recursos que a Graça de Deus lhe dá, fale com Deus por meio de Cristo peça perdão, peça forças e sabedoria. Leia a Escritura Sagrada ela tem a luz que apontará o caminho certo e abrirá as portas para todas as oportunidades.
NELE, O Autor de todas as oportunidades e quem pode abrir todas as portas.
Fábio Maia

terça-feira, 6 de novembro de 2007

O Salmo Que Edir Macedo Não Leu: “Tu me tecestes no seio de minha mãe”



Olhe com atenção! Pois, onde alguns não vêem nada, outros, conseguem enxergar uma vida.






O Salmo Que Edir Macedo Não Leu: “Tu me tecestes no seio de minha mãe”

Numa entrevista publicada pela Folha de São Paulo em 13 de outubro de 2007, o Bispo Edir Macedo, líder maior da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e proprietário da Rede Record, respondeu sobre o aborto e a campanha que a Record tem feito a favor da legalização. Lamentavelmente, além de ser favorável a essa prática criminosa e antibíblica, o Bispo reflete sua falta de conteúdo e compromisso com o ensino das Escrituras Sagradas, demonstrando uma cosmovisão muito mais comprometida com conceitos sociológicos - políticos pós-modernistas, do que com a visão bíblica cristã.
Dentre as perguntas relativas ao tema, cito apenas a que está diretamente relacionada ao texto bíblico:

FOLHA: “Deus deu a vida e só Ele pode tirá-la”, segundo a Bíblia (sic). Não é contraditório um líder cristão defender o aborto?
Macedo: A criança não vem pela vontade de Deus. A criança gerada de um estupro seria de Deus? Não do meu Deus! Ela simplesmente é gerada pela relação sexual e nada mais, além disso. Deus deu a vida ao primeiro homem e à primeira mulher. Os demais foram gerados por estes. O que a Bíblia ensina é que se alguém gerar cem filhos e viver muitos anos, até avançada idade, e se sua alma não se fartar do bem, e, além disso, não tiver sepultura, digo que um aborto é mais feliz (Eclesiastes 6.3). Não acredito que algo informe seja uma vida.

As afirmações feitas pelo Bispo contrariam o que ensina a Bíblia sobre a soberania de Deus e o seu governo sobre todas as coisas. Sua opinião contradiz inclusive a própria prática da sua igreja, pois, segundo sua compreensão, Deus está distante, afastou-se deixando as coisas correrem segundo processos e leis que criou, não acompanhando os acontecimentos diários e o processo contínuo da vida. Mas, sua igreja convenientemente, convida e estimula as pessoas irem a ela buscar solução para questões pessoais e específicas, como: doenças, desemprego, desilusões, falências, fracassos financeiros, e outros.
O Bispo cita um texto de Eclesiastes completamente fora de seu contexto, refletindo a irresponsabilidade quanto ao uso e interpretação da Bíblia, prática essa, muito comum nas pregações da sua igreja. O texto poético de sabedoria, escrito por Salomão, ensina o quanto é inútil uma vida vivida sem Deus, mesmo com muitos filhos e com muita longevidade, se a alma não se fartar do bem, ou seja, daquilo que é proveniente da graça, da presença abençoadora de Deus, a vida não tem valor. E assim, essa vida se torna pior do que um aborto. Pois é uma vida inútil. Chega-se ao final dela sem o verdadeiro sentido. O texto citado não trata de forma alguma sobre a questão ética do aborto.
Não temos a pretensão de apresentar aqui os diversos textos e posicionamentos claros das Escrituras sobre esse tema. Há muitos textos já divulgados com essa finalidade. Gostaria apenas de sugerir ao leitor e ao bispo Edir Macedo a leitura e reflexão do Salmo 139 escrito por Davi. Esse é também um texto poético, ele também não trata diretamente sobre o aborto, mas ensina que Deus é totalmente soberano, governa sobre todas as coisas e tem cada dia de nossa vida em sua conta, ensina também esse salmo, que a vida humana, cada uma dela é criação direta de Deus, Davi, assim descreve o ato da gestação: “... de modo assombrosamente, me formaste” e ainda descreve a gestação uterina como sendo algo artesanal, feito pela mão divina: “tu me tecestes no seio da minha mãe”, é claro que Davi utiliza um recurso poético para descrever a ação divina no ato gestacional, mas o princípio aqui, é que Deus é quem faz a vida no útero. Como é tremenda e linda essa descrição! E por isso, e muito mais, estamos convencidos pelas Escrituras que o aborto é pecado! É uma agressão direta a uma obra construída pelas mãos do Criador.
Davi claramente discorda do Bispo Edir Macedo (sendo aqui anacrônico a propósito)
Sobre a afirmação absurda do bispo: “Não acredito que algo informe seja uma vida”. Digo apenas que quem está no útero não é “algo informe” sem vida, mas, alguém com a vida em formação, afirmo isso à luz da Bíblia e da ciência, pois ambas não se contradizem. Talvez possa faltar a ciência a clareza que as Escrituras tem sobre o assunto. Mas, as pesquisas científicas sérias, caminham nessa direção.
Concluo ressaltando que o bispo em sua entrevista diz algo esclarecedor quando afirma: “Não do meu Deus!” Isso revela que o Deus do bispo é exclusivo, é outro, e certamente não é o da Escritura Sagrada.
NELE, que é o Autor e Senhor de cada vida, em todas as etapas em que ela acontece.
Fábio de Souza Maia

Você poderá encontrar uma análise mais ampla e profunda dessa entrevista, feita pelo Teólogo Solano Portela entrando no blog: O Tempora, O mores! É só acessar no link dessa página.

domingo, 4 de novembro de 2007

A Legalização do Aborto: Criando opção onde não existe opção.


No Brasil discute-se mais uma vez a possibilidade de se realizar uma consulta popular, dessa vez em forma de um plebiscito, tendo como tema a legalização do aborto.
Isso reflete infelizmente, a incompetência dos governantes em exercer o seu papel representativo. Sob a áurea de uma democracia republicana gasta-se uma fortuna em processo de consulta ao povo, ora em forma de referendo, ora em plebiscito, fazendo perguntas onde não deveria existir dúvida. Fazendo sim, um aproveitamento político de questões éticas que diz respeito à valorização da vida. Esse tipo de postura política é de mero oportunismo, uma forma de diversionismo, ou seja, os políticos gostam de distrair a atenção da sociedade com temas que levam a população a gastar tempo, atenção e energia, enquanto eles fazem conchavos, alianças, aprovam CPMF e empurram para baixo do tapete questões que estavam em evidência, como a crise aérea e processos contra políticos corruptos.
A Legalização ou descriminalização do aborto é sim, uma declaração de insanidade e incompetência de uma sociedade que faliu e desistiu de lutar pela vida. Que trata problemas a partir das conseqüências e não das causas. A gestação e concepção são processos naturais em favor da vida. O problema das mulheres que morrem praticando aborto clandestino precisa ser tratado de forma correta, com políticas sociais, programas de prevenção, orientação e ajuda a mulher, para que receba apoio multidisciplinar apreenda a se amar e desfrutar desse dom tão maravilhoso de gerar em seu útero uma vida. Se não tiver condições ou não quiser criar esse filho deve ser garantido a ela o direito de doar (Esse sim! É um tema que deveria ser tratada com mais responsabilidade pelo governo, pois é algo tremendamente burocrático e longo nesse país.). É enorme a fila de pessoas querendo adotar crianças, principalmente recém nascidas.
É um verdadeiro absurdo penalizar quem ainda nem bem chegou (a criança) pelos desmandos do governo incapaz de resolver os problemas sociais; mulheres que mesmo diante de tantas possibilidades anticonceptivas, ainda assim, se envolvem em relações casuais e não planejadas e ficam grávidas, famílias que não dão a devida orientação aos seus jovens e até igreja, como a universal que justifica o aborto sobre bases meramente pragmáticas e utilitaristas, fazendo uso do tema para supostamente angariar apoio popular, dizendo o que algumas pessoas e empresas com status e influência, querem ouvir.
Há muitos interesses não confessáveis por trás dessas propostas, interesses políticos, econômicos e outros.
Não! A vida não é algo para se colocar em opção. A vida de mulheres grávidas não está em linha de colisão com a vida em gestação, uma não justifica a exclusão da outra. É preciso entender que não se pode criar opção aonde não existe. A não ser que se admita a opção do absurdo, do crime e do caos.
Concluo, usando um chavão do presidente Lula: “Nunca na história desse país... gastou-se tanto tempo e dinheiro com perguntas absurdas?” (frase minha).

Fábio de Souza Maia

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Para Não Dizer Que Não Falei de “Saudade”



Saudade é uma palavra estranha!
As vezes ela é bonita, gostosa de pronunciar e de ouvir,
Mas, por vezes tão dolorida pelo que nos faz sentir.
Saudade combina com distancia,
Pois, tem haver com algo ou alguém que ficou na lembrança.

Saudade quando chega dá vontade de levantar e ir,
Na direção daquilo ou de quem saudade nos faz sentir.
Saudade faz a mente voar, leva os pensamentos à cenas e momentos,
Que nem mesmo o tempo consegue apagar.

Há na saudade uma beleza contida, ela inspira a arte,
Pois, poesias e canções, compostas com tantas emoções,
Certamente não haveriam se não existisse a saudade.

Ah! Saudade! Que vontade você me dá!
De atravessar o espaço e o tempo
E trazer de volta aquele dia, aquele momento!
Poder olhar de novo, sentir de novo,
O mesmo lugar, os mesmos rostos.

Saudade me faz entender
Que por maior que seja o tempo ou a distancia a se perder
Tudo ainda existe guardado bem aqui,
Nesse lugar onde somente as lembranças podem existir.

Saudade é para se sentir, mas, também para se deixar,
Pois quem não deixa saudade ainda não aprendeu a amar.
Saudade é a prova de que nada acabou,
Pois enquanto existir saudade sempre existirá o amor.

Saudade...Palavra estranha!


Fábio Maia – SP

Mais que Anas (Poema para as minhas filhas)



Um facho de luz, um momento, um instante de chegada.
Surgiram, trouxeram sorriso misturado com lágrimas,
São duas Anas, mas na verdade são mais que isso,
A primeira tem mel misturado com brisa por isso também é Melyssa
A segunda como um sol, tem luz sublime, por isso, Caroline.

São frutos da vida, flores colhidas numa caminhada,
Elas têm novas cores, realçam sabores,
E em meio a dissabores Trazem alento;
Nas horas mais difíceis, viajo nas lembranças de minhas Anas,
Renasce então aí toda esperança.

Olhando para o retrato em cima do criado, viajo no tempo e no espaço,
Recordo risos e abraços, momentos e sentimentos que estão guardados,
E que um dia espero, com ternura e aconchego, encostadas em meu peito,
Relembrarmos juntos, ainda que com cicatrizes, mais já sem dor, vencidas pelo amor.

Elas são mais que Anas são vidas, são sonhos, são cores;
Pra mim são mais que amores são partes de mim,
Sem elas sou apenas um quase, menos que a metade.
Com elas sim! Sou começo, meio e fim.

Às minhas filhas. Fábio Maia – 03/08/07 – São Paulo. 16:52

O Deus Que Restaura


"Pedro, Apascenta as minhas ovelhas!”.
Não era um pedido, mas sim uma ordem: “Pedro, apascenta as minhas ovelhas!” Seria uma tarefa de extrema importância e responsabilidade, apascentar, pastorear o rebanho, e não era qualquer rebanho, era o rebanho de Jesus, “... as minhas ovelhas”, isso incluía os discípulos e os próprios apóstolos, pois Jesus já havia dito em outra ocasião que Pedro era pedra e sobre esta pedra Jesus edificaria sua igreja (não nos molde da teologia romana), sim, Pedro seria o líder do colégio apostólico, o presbítero presidente do concílio de Jerusalém. Mas logo ele? O que negou vergonhosamente o Senhor por três vezes? Logo ele? Assumir um posto tão elevado tendo um currículo manchado pela negação? Ele já havia demonstrado sua fraqueza em um momento de provação, foi testado e reprovado no teste, mas, o Senhor Jesus diz a Ele: “Pedro, apascenta as minhas ovelhas!”. Que outra explicação podemos encontrar senão o amor de Deus? Que outro poder, senão o da restauração daria àquele homem, humilhado pela fraqueza, envergonhado pelo pecado, decepcionado consigo mesmo e derrotado por sua covardia, a capacidade de ser colocado em uma tarefa tão sublime? A nossa arrogância certamente procurará outras explicações, falácias interpretativas e exegéticas para tentar de todas as formas dizer que não é bem assim, pois é muito difícil para pessoas como nós, vivendo em mundo de tanto egoísmo e falsidade admitir a restauração nesse nível tão elevado. Isso é porque de fato, somos pequenos demais e poluídos demais pelo pecado para produzirmos ou até mesmo aceitarmos a restauração dessa forma. Mas, a restauração é obra de Deus, nós não fazemos e nem podemos operá-la, podemos sim, nos escandalizarmos com ela, de certo modo até dificultá-la, mas jamais poderemos produzi-la. Ela é divina, é obra de um grande amor, pois Deus restaura aqueles por quem Cristo pagou um alto preço. Se você está se sentido longe, distante e esquecido. Se você vive hoje apenas do que era, de lembranças e recordações, saiba que existe restauração e ela é real e completa. Deus a realiza. Ele não permite que a queda o impeça de continua os propósitos que Ele tem para você. Ele começou em nós a boa obra e certamente a levará a bom termo. Não se assuste se Ele disser para você: “apascente, cuide, alimente, seja líder, esteja na frente do meu rebanho!”.
NEle, que conhece todos os nossos dias e não se assusta e nem se surpreende com nenhum deles.
Fábio Maia. São Paulo, 30/10/07 – 22:19hs.

De Quem Eu Precisava...

Eu precisava de alguém para estar ao meu lado Quando ninguém pudesse estar,
Alguém que olhasse e realmente me visse
Quem além de me olhar, também me ouvisse.
E que mesmo sem entender quisesse me ouvir

Eu precisava de alguém que dissesse sempre
O que tinha para dizer, sem se esconder por trás
De palavras diferentes, estranhas de entender,
Alguém sem cantos escuros, lugares distantes por trás do olhar.

Eu precisava de alguém sem pressa pra sair, pra levantar,
Alguém que gosta de abraçar e de sorrir
De aprender e dividir, alguém que sabe brigar
E depois perdoar sem fingir.

Alguém para andar na chuva, correr descalço;
Alguém para dividir as moedas, usar o mesmo casaco;
Alguém para poder ligar dizendo: já vou!
Alguém para esperar chegar, para ir buscar, sentir o calor.
Pra sentar do outro lado da mesa, pra bagunçar a gaveta.

Eu precisava de alguém que também precisasse de mim
Que quisesse meu olhar, meu ouvir e meu expor.
Alguém que aceitasse minha mão, meu abraço.
Alguém que precisasse chegar logo onde eu estou
Que abrisse um sorriso ao meu ver
E que se incomodasse com a minha demora.

Eu precisava de alguém, que mesmo sabendo quem sou
Aprende a buscar todo dia um jeito novo de se dá
E de tirar da vida o que existe de novo
Que transforma tristeza em beleza,
Que decora a vida com momentos Inesquecíveis.
Eu precisava de alguém de quem vale a pena precisar.

Fábio Maia São Paulo, 26/10/07

A Demora de Deus


Já fazia quatro dias que o irmão havia morrido, ela angustiada, cansada e anestesiada pela dor e saudade pelo falecimento, estava ali junto ao sepulcro do irmão, ainda num velório pós-sepultamento, chorava quando finalmente Ele chegou, acompanhado dos discípulos em meio aos curiosos, conhecidos; Ele chegou, depois de quatro dias em que havia recebido a notícia do adoecimento terminal de Lázaro, mas, quando soube da notícia Lázaro ainda estava vivo! No entanto, Ele demorou a chegar e quando chegou Lázaro já havia morrido. A irmã corre ao seu encontro, lamenta o seu atraso e professa sua pequena fé dizendo: “Se o Senhor estivesse aqui, meu irmão não teria morrido!” E diante daquele ambiente de tristeza, saudade e pouca fé, Jesus Cristo chora. Quantas vezes ficamos com o mesmo sentimento de Maria! Quantas vezes temos a mesma impressão de que Deus está atrasado! Se ele tivesse falado antes! Feito-me sentir essas coisas antes! Chegado na minha história antes! As coisas não estariam como estão. Ficamos com uma idéia estranha sobre Deus. Ele atrasou de propósito? Foi impossibilitado por algo? Mas, como? Ele é Todo Poderoso! As lágrimas em nossos olhos não nos deixam enxergar direito, nossa confusão mental perturba nossa compreensão, ficamos perdidos! Não! Ele não atrasou! Ele chega na hora! É que a relação com o tempo para Ele é diferente, Ele é o Senhor do Tempo, não tem e nem precisa correr e ter pressa. Ele é o Senhor de todas as situações. O sentimento de atraso é só nosso, por causa da nossa relação com o tempo, estamos sujeitos a ele, o tempo passa por nós e nos assusta, deixa suas marcas; o tempo nos consome, por isso temos pressa. Sem falar da nossa impotência diante do futuro, nossa impossibilidade nos assusta, somos incapazes de reverter processos fundamentais na vida, como por exemplo, a morte. Por isso temos pressa! A impressão do atraso de Deus é corrigido com a Fé, com o conhecimento de que Deus é poderoso para reverter toda e qualquer situação, e que Ele pode transformar algo que estava completamente perdido, num momento de profunda vitória e glória: “não vos tenho dito: que se creres verás a glória de Deus”. Ele chorou é verdade! Mas, seu choro não era de impotência, de alguém que chegou atrasado, mais sim de amor, por compartilhar da angústia humana em face da morte, sendo Ele também humano (Deus-homem), diante da conseqüência do pecado na história humana gerando morte Ele chora! Chora porque entende nossa dor, chora conosco. Como é bom! Sentir que Ele sabe a nossa dor, compartilha conosco do nosso sofrer, mas, não fica só nisso, Ele tem todo o poder, Ele vai até a entrada do túmulo e ordena: “Lázaro! Sai!” E toda a ordem da natureza obedece ao seu mandar. Não se angustie! Creia nEle! Em suas promessas, Ele não está atrasado! Está aqui bem perto. Senti sua dor, compartilha com você do seu sofrer, daqui a pouco vai fazer acontecer. No tempo certo você vai ver o milagre. Conheça, confie e descanse nEle. NEle, SENHOR do tempo, e que têm o momento certo para tudo.
Fábio Maia - SP/ 23/10 - 22:32hs.

O Paradoxo da Solidão

Estar só é algo curioso, pois às vezes é ruim não ter com quem falar, não ter uma voz para ouvir, alguém a quem se possa pedir opinião, para quem pedir um favor, dividir uma idéia, alguém até mesmo para discutir, dividir as despesas, dividir o medo, ser visto chorando, rindo, cantando; pois existem momentos que lamentamos não ter alguém para ver a nossa dor e até chegamos a senti pena de nós mesmos por estar só. Nesses momentos rejeitamos a idéia da solidão e falamos sozinhos, olhando às vezes para o espelho, falamos com o imaginário e transformamos monólogo em diálogo. Mas, de forma paradoxal é muito bom estar só, a solidão nos coloca em relacionamento conosco mesmo, nos direciona para dentro de nós, colocando-nos em contato com um ser diferente, pois quando estamos sós, somos outro, talvez não tão diferente, mas somos outro. E assim sendo, percebemos que essencialmente nunca estamos sós. Na solidão lidamos a vontade com nossas idéias, manias, virtudes e deformidades, falamos qualquer coisa, cantamos, rimos e choramos, fantasiamos situações e sonhos. Quando ficamos sós, podemos nos enriquecer por dentro, podemos gastar bom tempo com o nosso interior. Mas, para que o ficar só, seja de fato algo enriquecedor e benéfico, é preciso aprender e crer, que de fato, nunca se está só, plenamente só, pois além do outro que carregamos dentro de nós mesmos, existe alguém maior que tudo, maior que todos, alguém que está sempre e conhece tudo, conhece o ser que somos no meio de todos, no alvoroço dos relacionamentos do dia a dia, e conhece o outro que existe dentro de cada um de nós quando no silêncio do quarto, no choro baixinho no meio da noite, no lamento em um cômodo vazio, no narcisismo diante do espelho, no sorriso solto de uma boa lembrança, na vergonha pela repetição do pecado, na reflexão em busca de solução; Ele nos conhece por dentro e por fora; Eis a questão do salmista: “como fugirei da tua face?”. Mas, não tenha medo! Ele é bom e poderoso, e por isso, é bom tê-lo por perto, ele é bom para ouvir: “amo ao Senhor porque Ele ouve a minha voz...”; Ele é bom em falar “sua palavras são como favos de mel.. saúde para os meus ossos” o calor de sua presença trás refrigério; diante dele não preciso fazer aquele esforço tolo de esconder-me, disfarçar-me, maquiar-me, empostar minha voz, procurar palavras bonitas; Ele me dispensa dessas tolices e me vê como quem realmente sou, ele lida comigo mesmo e não com aquele que eu tento ser porque o outros querem que eu seja. Não fique só, nem mal acompanhado, fique certo de que Deus está presente e faça da presença dele a certeza de uma solidão abençoada e enriquecedora. Ele está aí agora! Converse com Ele e ouça sua voz nas Escrituras Sagradas.
NEle, que é Pai, Filho e Espírito Santo e cuja única solidão que possui, é de ser único em plena divindade, poder, santidade, sabedoria, justiça, amor e muito mais, etc... O Deus Triúno te guarde a cada momento.
Fábio Maia

A Ilusão do Atalhos

A verdade é que temos pressa em que as coisas aconteçam. Estamos sujeitos ao tempo, somos escravos dele e não temos tranqüilidade para esperar. A certeza de que não vamos continuar aqui para sempre e a incerteza sobre quando se dará a saída, nos faz ter pressa. Essa pressa apresenta-se na busca pelo prazer, pela realização, pela aquisição, pela definição sobre as diversas áreas da vida. “A pressa é inimiga da perfeição” já diz um ditado popular, mas, o grande perigo da pressa são os atalhos, eles oferecem rapidez eliminando etapas, alguns desses atalhos vem em formas de papeis vendidos na esquinas, afirmando o que não aconteceu são diplomas, declarações, atestados; outros atalhos, vem na forma de relacionamentos, relações prematuras, antecipadas. A buscar de consolo e conforto espiritual tem levado pessoas a aderirem todo e qualquer tipo de segmento religioso, principalmente àqueles que oferecem atalhos para as soluções físicas e financeiras. Os mesmos que desanimam diante de uma longa fila de espera para conseguir um trabalho, se sujeitam a ficar horas e horas numa fila de jogos lotéricos para tentar algo que a própria matemática diz ser quase impossível. Mas, qual é o problema dos atalhos? Primeiro está no próprio termo, “atalho” não é “caminho”, pois se fosse não se chamaria atalho. O atalho é rudimentar é rústico, logo, mesmo que ele faça chegar mais rápido aonde se quer, corre-se mais risco, sujeita-se a situações mais complicadas e não se aprende o “caminho”. Mais o grande problema do atalho, não está nessa filosofia-geográfica, mais sim nos “pulos” e “saltos” que sacrificam etapas fundamentais no processo do resultado final. Ninguém chegará aonde se quer, não estará como se deve estar e não permanecerá com êxito nesse lugar, chegando “via-atalho”. Quando pensamos na grande concorrência dos dias de hoje, vemos claramente que os que optam pelo atalho não tem qualificação suficiente para concorrer com os que chegaram pelo caminho. O atalho iludi, engana, pois rapidez não combina com qualidade, atalhos alimentam a pressa, a impaciência, amolecem caráter, não exercitam valores importantes na personalidade como: domínio próprio, paciência, persistência, capacidade para conhecer e lidar com as próprias limitações. Evite os atalhos, trilhe pelo caminho mesmo que esse seja longo e difícil, o resultado será compensador, ainda que outros não reconheçam, você entenderá que foi melhor assim, eles perceberão isso mesmo que não digam; você pode até no final do “caminho” não ter muito, do ponto de vista material, mas, verá com muita clareza como teria sido uma tolice ir pelo atalho só por causa de “coisas materiais” e não se enveredará pela trilha da depressão que acometem àqueles que “perdem” o precioso tempo evitando as etapas que fazem de nós e da nossa vida algo com verdadeiro sentido. Os atalhos são estradas para as frustrações. Evite-os!
Fábio Maia

A Volta da Força

É conhecida a história bíblica sobre Sansão, foi um dos juízes de Israel no período pós-domínio da terra de Canaã e pré-monárquico; Sansão foi escolhido por Deus para livrar o povo de Israel da opressão que sofriam por parte de povos estrangeiros que habitavam ao redor da nação israelita. Ele foi capacitado de modo especial para executar tal missão, foi dotado de uma força sobrenatural e com essa força fez grandes proezas. A força física de Sansão estava diretamente relacionada com seu compromisso de santidade, ele tinha com Deus um voto, feito quando ainda era recém nascido, e que exigia dele uma postura diferenciada de pureza e santidade. Sansão começou muito bem sua trajetória, no entanto, ao longo do caminho foi enfraquecendo-se no ponto fundamental, na obediência aos princípios do voto que tinha com Deus. Perdeu-se moralmente, envolvendo-se com mulheres erradas, teve atitudes que feriram diretamente o voto que foi feito. E com isso experimentou uma derrota que jamais imaginava que pudesse lhe ocorrer. Foi traído pela esposa, preso por seus inimigos, teve a cabeça raspada (de acordo com o voto, seu cabelo deveria ser mantido comprido como símbolo físico da manutenção de sua força), perdeu sua força, seus olhos foram vazados e foi amarrado a um moinho tendo que ficar dando voltas ao redor dele. Antes de ser morto, Sansão deveria ser apresentado em espetáculo, numa arena diante de todos os seus inimigos, como uma oferenda ao deus deles, seria uma grande celebração de vitória sobre o povo de Israel. Nesses momentos finais, Sansão, humilhado, arrependido e contrito; busca a misericórdia e graça de Deus; tem sua força restaurada e coloca por fim toda a alegria dos seus inimigos. Sansão morre, mais faz de sua morte um marco na história. Assim como Sansão, muito dos cristãos, chamados por Deus para servirem numa grande obra de libertação, tem se enfraquecido em razão de suas derrotas internas, suas escolhas erradas, uma falsa percepção de que jamais irão cair, e por conta disso têm vivenciado profundas derrotas e humilhações. Mais Deus é misericordioso e gracioso, Ele nos possibilita começar de novo, ou, melhor ainda, começar “o novo”, Ele é o Deus que do nada criou tudo, “que levanta do monturo o necessitado” que diz que a cada manhã, bem cedo, ele renova de misericórdia a nossa vida. Ele devolve a força perdida; fez isso com Sansão, com Davi, com Pedro e continua fazendo isso hoje com todos àqueles que o buscam verdadeiramente. Pode acreditar! A força vai voltar. Neemias disse que “a alegria do Senhor é a nossa força” e Davi orou pedindo: “restaura-me a alegria da Tua Salvação”, embora a salvação seja imperdível, a alegria dela pode deixar de ser vivenciada quando há pecado não confessado e raiz de amargura. Mais faça como Sansão busque a Deus, ore como Davi, peça restauração da alegria.
Naquele, que diz que é na fraqueza que se opera o Seu poder.
Deus o guarde.
Fábio Maia

A Esperança Que Vale a Pena

Para alguns, a esperança não é nada mais do que uma questão de última opção, ou seja, “não me resta mais nada senão ter esperança, pois ela é a última que morre”. Para esses a esperança é algo derradeiro e está mais para desespero do que para esperança. Esperança é esperar com confiança; mais esperar em quê? Ou em quem? Pois quem espera, espera algo, resposta, saída, novo caminho, enfim, a solução. A esperança é algo necessário para caminharmos, ela é motivadora, dá-nos energia para continuar, recomeçar e persistir. Contudo, tão importante quanto ter esperança é em quem se tem esperança, pois ela é uma confiança direcionada para algo ou alguém, esperamos com um espírito de confiança de que coisas vão acontecer, portas vão se abrir, pessoas vão nos ouvir e nos ajudar e a saída da angústia vai ocorrer. Muitos fazem de sua esperança um desespero, pois esperam em coisas menores do que elas mesmas, como podemos querer que algo ou alguém, que é por natureza menor do que nós, venha socorrer e atender nossas angústias. Não podemos ter esperança no acaso, em objetos, em entidades, quando fazemos assim nos diminuímos e nos tornamos semelhantes ao objeto de nossa esperança, fomos criados a imagem e semelhança do Criador para nos relacionarmos com Ele, portanto nada nem ninguém podem atender satisfatoriamente nossas expectativas a não ser o Deus da Bíblia. Devemos focalizar nossa esperança no autor da fé, naquele que diz: “ ...pedi, pedi e vos será dado..”, devemos esperar com confiança naquele que não muda e cuja sua imutabilidade é o chão sólido onde podemos firmar nossa âncora da alma que é a esperança. Quem espera nele, espera naquele que tem todo o poder, está em todo lugar, sabe todas as coisas e é, sobretudo, justo e de infinita bondade e misericórdia. Você está triste? Sem saída? Desorientado? Precisa ter esperança, não esperança na esperança, nem fé na fé, mais esperança Nele, Autor e Consumador da Fé. Ele está aí perto de você, Ele é acessível, fale com Ele, desabafe, ouça sua voz nas Escrituras e depois descanse nas promessas que Ele faz, pois nele vale a pena esperar. Abraço. NEle, que mesmo com o passar dos anos não muda, continua do mesmo jeito, ou seja, SURPREENDENTE!
Fábio Maia

A Fé Que Também Fere

“A Fé que me fortalece é hoje também, a fé que me fere”
Perdi pessoa que me são muito caras, ministério, igreja, amigos, para alguns até a credibilidade; mas, por incrível que pareça, não perdi a fé. Continuo crendo da mesma forma; a fé como conjunto de convicções, a fé como a plena certeza das coisas que não se pode ver, a fé como dom da graça de Deus; essa continua comigo, não era fingida; quem bom! Se fosse, teria certamente desvanecido, não teria sobrevivido; não era falsa e nem frágil o que me sustentou até aqui; ela é sólida mesmo, está para a minha alma, assim como a coluna vertebral está para com o meu corpo. Mas o paradoxo, é que essa mesma fé que me fortalece é também hoje, a fé que me fere; não que o problema esteja na fé, mais sim na posição que estou em relação a ela, coloquei-me do lado contrário. Por outro lado, ser ferido pela fé mantém viva a esperança, é incrível como Deus é insistente, não desisti e persisti no cumprimento dos seus propósitos. A minha oração, (Que bom! Ainda oro!) é que essa fé aumente minha esperança e que ambas me façam trilhar o caminho sobremodo excelente do amor, pois no final de tudo o que prevalecerá é o amor. Noé não tinha fé quando se embebedou?
Abraão não tinha fé quando mentiu sobre sua esposa?
Moisés era incrédulo quando se irou? Sansão quando se enfraqueceu?
Davi quando adulterou? E outros...
Graças a Graça de Deus, a fé é Dom que vem dEle não depende do que fazemos ou do que somos mais de ser Deus gracioso. Assim como o final da história de cada personagem citado, confirma o que afirmamos, o fim da história de cada um de nós, trará a grande revelação.
Fábio Maia

A Fraqueza da Memória

Ocorre quando se é rápido para pensar nos erros e lento para lembrar-se dos acertos; Quando se esquece o saudável, o bom o produtivo, o que curou, abençoou, consolou, e se traz a memória o erro, a fraqueza, o tropeço, a mentira medrosa, o desvio, a dívida. Isso é uma triste doença da mente, da alma atrasada, e quem sabe, arrasada por suas fraquezas escondidas; esses se sentem assustados quando enxerga no outro suas próprias fraquezas, agridem para tentar esconder-se. Que pena! Que pena! Que você se esquece tão fácil, dos momentos que choramos juntos, que oramos juntos, que sofremos juntos, da boa palavra que te ajudou, do conselho que te iluminou, da lágrima compartilhada, da conversa longa na hora estranha, do socorro, do abraço, do afeto emprestado, investido; Que pena! Que pena que você esquece e troca tudo isso pelo erro cometido e sofrido, (pois todo erro trás dor, sobretudo a quem erra) pelo desvio. Que pena! Que pra você o mal consegue ocupar mais espaço do que o bom. Que bom! Que a mente de Deus não é assim! Que bom! Que Ele não é igual a mim, pois ele não erra e não se desvia; Que bom! Que Ele não igual a você que lembra mais, e dá mais crédito ao mal do que ao bom. A misericórdia dEle é a causa de não sermos consumidos e se renova todo dia durando para sempre. Por isso peço à Ele que eu faça como o profeta: traga a memória o que me pode dá esperança. E diga como o salmista: bendiga a minha alma ao Senhor e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.
Fábio Maia
Este texto está no site da revista Ultimato: http://www.ultimato.com.br/?pg=mural visite

Alegria

O tempo foi-se passando a tristeza chegando, tomou seu lugar.
Destruindo-me aos poucos minando meu riso, tirando meu ar.
Mas não me dou por vencido, embora caído ainda vou.
Nadando contra as ondas e ventos que tentam me fazer naufragar.
Coloquei-me no oposto, no lado contrário,
Na posição de quem foge para não se encontrar.
Mas ainda há tempo para um novo cenário
Um reencontro com a calma que só a paz pode dá
Usar a força do vento e as ondas do mar,
Para nadar na direção do começo,
Na certeza de um dia, sem tropeços,
Ter de volta a alegria em seu verdadeiro lugar.
Fábio Maia - 26/07/07 – SP/ 12:55

Minha Nova Edição

“Esquecendo-me das coisas que para trás ficam... avanço para as que estão diante de mim”.
(Paulo de Tarso)

Essas palavras foram escritas por um homem que teve uma formação religiosa e cultural admirável, galgou uma posição de liderança e status social elevada, não obstante a tudo isso, praticou atos reprováveis diante de Deus, ainda que por motivações de zelo para com a religião de seus pais e que podem até ser achadas coerentes com suas crenças e convicções; no entanto, ele pecou ao comete-las, foi cúmplice na morte de um dos grandes personagens do Novo Testamento (Estevão) e perseguiu outros tantos cristãos para prende-los e condená-los. Paulo tinha um currículo assustador que mereceu desconfiança por parte da liderança da igreja mesmo após sua experiência no caminho de Damasco, que exigiu um fiador de credibilidade como Barnabé para creditar a ele a confiança que ele necessitava naqueles primeiros dias de sua caminhada “pós-estrada de Damasco, pós-queda do cavalo, pós-encontro com Cristo”.
Nessas palavras dirigidas à Igreja de Filipos, Paulo preso em Roma, afirma sua nova mentalidade, sua nova visão da vida, sua disposição em considerar tudo àquilo que era tido como sublime e precioso aos olhos das pessoas: sua filiação histórica, sua bagagem cultural e religiosa, “seus diplomas”; considerar como esterco; em face da sublimidade de conhecer a Cristo. Ele não aceitou ser admirado ou rejeitado, em razão do seu passado.
Esse relacionamento com Jesus dava-lhe a força necessária para esquecer o que ficou para trás e avançar na direção do novo, ter um alvo para prosseguir, pois Deus o havia dado essa possibilidade e não seria os homens e nem o seu passado, que o iria impedir de fazer isso.
Essas palavras têm me fortalecido nesses dias e me encorajado a assumir minha nova edição. Deus não julga os pecados pelas motivações que nos levaram a cometê-los, portanto, os de Paulo nunca serão menores do que os de outros, Ele próprio se referia a si mesmo, como o maior dos pecadores, ele teve seus pecados perdoados, e eles foram tratados por Deus ao longo de uma vida. Assim tenho feito, coloquei-os nas mãos do Senhor e Ele os tem perdoado. Sobre o tratamento? Estou em paz! Deus os tem tratado.
Se alguém quiser ficar com o meu passado e tirar algum proveito dele, pois bem, eu, porém, estou caminhando para frente, para o alvo. Tenho acessado o passado apenas para não fazer replay, e também porque sei que existem pessoas muito preciosas a quais devo rever para retratar-me e corrigir erros que são possíveis, e receber o perdão que é saudável.
Minha nova edição certamente é melhor, tem nova capa, mais condizente com o conteúdo. Hoje estou mais livre para ser quem realmente sou, menos o que achava que deveria ser e com mais oportunidades para ser quem Deus realmente quer que eu seja.
Fábio Maia